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Publicado em 13 de jul. de 2026 · 5 min de leitura

80 mil ingressos, uma catraca e zero segundas chances

Sistemas de acesso a estádio não têm horário de pico — têm paredão de gente. Lições de integrar ingressos a catracas quando o deadline é a hora do jogo.

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A maioria dos sistemas escala em curva. Estádio escala em paredão: não existe "aumento gradual de tráfego" quando 80 mil pessoas chegam na mesma janela de duas horas, cada uma com um ingresso que precisa validar na catraca em menos de um segundo. Se falhar, o problema não é um erro 500 — é multidão acumulando na porta.

O legado não é o vilão da história

No centro de operações assim costuma viver um sistema legado que já provou seu valor vendendo milhões. Reescrever tudo seria o clássico erro de arquiteto empolgado. A jogada certa é outra: cercar o legado de serviços novos que assumem o trabalho pesado — processamento em lote, comunicação em alto volume, integrações — e deixar o núcleo fazer o que ele já faz bem. Foi assim que processos que levavam horas passaram a terminar em minutos, sem parar a operação para trocar o motor.

A catraca é um sistema distribuído com pernas

Integrar ingresso com catraca de estádio te ensina rápido que a rede do estádio é hostil, o hardware tem opinião própria e o torcedor não vai esperar seu retry com backoff exponencial. O desenho precisa assumir o pior: validação rápida perto da catraca, sincronização resiliente, e a regra de ouro — a catraca nunca pode depender de uma chamada remota para girar.

Lições que levo para qualquer sistema

  • Deadline físico muda tudo: o jogo começa às 16h com você pronto ou não. Feature incompleta se corta; confiabilidade não.
  • Serverless brilha em carga espinhosa: pagar por execução faz sentido quando seu tráfego é 50 eventos por ano com picos brutais.
  • Modernizar é estratégia, não estética: o legado continuou no centro, e foi a decisão certa. Reescrita total é a última opção, não a primeira.
  • Processos de horas viram minutos quando você para de tratar batch como sagrado e quebra o trabalho em unidades paralelizáveis.

Sistemas de evento ao vivo são a melhor escola de humildade que existe em engenharia: produção te dá nota na frente de 80 mil pessoas. Passar nessa prova algumas dezenas de vezes muda como você desenha qualquer coisa — até um formulário de contato.